segunda-feira, 17 de agosto de 2026

XHDATA D-808: minha experiência com um dos receptores portáteis mais completos

 Na semana passada, chegou às minhas mãos o XHDATA D-808, um receptor que há algum tempo despertava minha curiosidade. Como radioescuta e apaixonado pelo mundo do DX, sempre gosto de testar equipamentos diferentes e observar como eles se comportam na prática, principalmente nas ondas curtas.

Depois de alguns dias utilizando o aparelho, resolvi compartilhar neste artigo minhas primeiras impressões, falando não apenas das especificações, mas principalmente da experiência de usar o D-808 no dia a dia.

Primeiras impressões

Logo ao abrir a caixa, uma das primeiras coisas que chama atenção é o tamanho compacto do receptor. O D-808 é pequeno o suficiente para ser levado facilmente em uma mochila, mas, ao mesmo tempo, apresenta uma construção que transmite uma boa sensação de equipamento sério para radioescuta.

O painel possui uma tela LCD com boa quantidade de informações, além de teclas dedicadas para as principais funções. Para quem já está acostumado com receptores portáteis, a operação é relativamente intuitiva.

O aparelho também conta com uma antena telescópica para as bandas que utilizam antena externa e conexão para antena externa, algo muito interessante para quem pretende explorar melhor as ondas curtas.

Faixas

Um dos grandes atrativos do D-808 é justamente sua versatilidade. O receptor permite explorar diferentes faixas, incluindo:

  • FM
  • AM/ondas médias
  • Ondas curtas
  • Banda aérea
  • Faixas de ondas longas
  • SSB, para recepção de sinais USB e LSB

Para quem pratica radioescuta, essa variedade faz bastante diferença.

Testando nas ondas curtas

Foi justamente nas ondas curtas que concentrei boa parte dos meus testes.

Uma das coisas que mais gosto em um receptor é poder sair procurando sinais sem necessariamente ter uma estação específica em mente. É aquele velho hábito do radioescuta: ligar o rádio, escolher uma faixa e começar a girar o dial. Com o D-808, essa experiência é bastante agradável.

A sintonia é precisa e o aparelho permite utilizar diferentes larguras de banda, recurso importante para melhorar a inteligibilidade dependendo do tipo de transmissão. Em sinais mais fortes, o receptor apresenta uma boa experiência de escuta. Já em sinais mais fracos, o desempenho naturalmente depende muito da propagação, do horário, do nível de interferência e, principalmente, da antena utilizada.

SSB: um recurso muito importante para o DXista

Para quem gosta de explorar o mundo do DX, o suporte a SSB é um dos pontos fortes do D-808. Com SSB é possível ouvir transmissões que não são destinadas à radiodifusão convencional, incluindo comunicações de radioamadores e outros sinais encontrados nas ondas curtas. Essa possibilidade transforma o D-808 em algo mais interessante do que simplesmente um rádio portátil para ouvir emissoras.

Ele passa a ser uma ferramenta de exploração. E é justamente essa possibilidade de descobrir sinais diferentes que torna a radioescuta tão interessante.

Escuta da faixa aeronáutica

Outro recurso que merece destaque é a recepção da faixa aérea. Para quem mora próximo a aeroportos ou regiões com bastante movimento de aeronaves, essa função abre uma nova possibilidade de hobby. Para quem mora próximo a aeroportos ou regiões com bastante movimento de aeronaves, essa função abre uma nova possibilidade de hobby.

Para mim, essa versatilidade é um dos grandes diferenciais do D-808: você pode estar ouvindo ondas curtas e, depois, mudar completamente de atividade e explorar a faixa aeronáutica.

O D-808 é indicado para iniciantes?

Na minha opinião, sim. Apesar de possuir vários recursos, o D-808 pode ser utilizado por quem está começando na radioescuta e, ao mesmo tempo, oferece funções suficientes para acompanhar o usuário conforme ele evolui no hobby.

Para quem já pratica DX

Para o radioescuta mais experiente, o D-808 também apresenta características interessantes. A presença do SSB, a possibilidade de conexão de antena externa, a cobertura de diferentes faixas e o tamanho compacto tornam o aparelho uma opção bastante versátil para quem deseja ter um receptor portátil.

Minha avaliação

Depois dessa primeira semana com o XHDATA D-808, minha impressão é bastante positiva. O aparelho consegue reunir em um formato compacto uma quantidade muito interessante de recursos para quem gosta de radioescuta. Para mim, o principal destaque é justamente a versatilidade. É possível ouvir FM, ondas médias, ondas curtas, explorar SSB e ainda acompanhar a faixa aeronáutica utilizando praticamente o mesmo equipamento.

O XHDATA D-808 chegou para mim na semana passada e, nesses primeiros dias, já mostrou que é um equipamento que merece atenção dos apaixonados por radioescuta.

Ainda pretendo realizar muitos outros testes, principalmente comparando o D-808 com outros receptores que fazem parte da minha experiência no hobby e utilizando diferentes antenas.

Se você acompanha o mundo da radioescuta e do DX, continue acompanhando o blog Ondas do Rádio DX, porque ainda teremos muitos testes, escutas, antenas e experiências com esse pequeno receptor.

73 e boas escutas! 📻










sábado, 15 de agosto de 2026

Rádio Saturno 6150 KHz

🪐 Radio Saturno – 6150 kHz (Rádio Free / Baixa Potência)
📡 Frequência: 6150 kHz (Onda Curta)
📍 Transmissor: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil 🇧🇷
📍 Local da escuta: Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil 🇧🇷
🕒 Hora: 2007 UTC
📅 Data: 14/08/2026
📟 Receptor: XHdata D 808 | Antena: Telescópica



segunda-feira, 10 de agosto de 2026

NHK World Radio Japan 12060 KHz

📻 Frequência: 12060Khz
🏭 Transmissor: Yamata, 🇯🇵 Japão
⚡ Potência: 300 kW
🗓️ Hora (UTC): 1936 UTC
📍 Local de Escuta: Ouro Preto, 🇧🇷 Brasil (Minas Gerais)
🔊 Receptor: Tecusn Pl 600.
📶 Antena: Loop All Band - Stars Telecom



segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A Migração das Rádios AM para FM no Brasil: A Maior Transformação da Radiodifusão Brasileira

 Durante décadas, o rádio AM foi a voz que uniu o Brasil. Das grandes capitais às pequenas comunidades do interior, suas ondas levaram notícias, esportes, música e informação para milhões de brasileiros. Bastava ligar um rádio para ouvir a emissora local ou, durante a noite, captar estações de estados distantes graças à propagação das ondas médias.

Entretanto, a partir da segunda década do século XXI, a radiodifusão brasileira iniciou uma das maiores mudanças de sua história: a migração das emissoras AM para a faixa FM.

Essa transformação modificou a forma de fazer rádio, alterou o cenário da radioescuta e marcou o início de uma nova fase para o setor.

O rádio AM e sua importância

Por muitos anos, o AM foi o principal meio de comunicação do país. Sua grande vantagem era o alcance do sinal. Durante o dia, uma emissora podia cobrir dezenas ou centenas de quilômetros. À noite, graças à reflexão das ondas na ionosfera, esse alcance aumentava significativamente, permitindo que ouvintes e DXistas captassem emissoras situadas a milhares de quilômetros de distância.

Foi por meio do AM que o Brasil acompanhou fatos históricos, transmissões esportivas memoráveis, radionovelas e programas que marcaram gerações. Em muitas cidades, a emissora local era mais do que um veículo de comunicação: era parte da identidade da comunidade.

Por que foi necessária a migração?

Com o avanço da tecnologia, o rádio AM passou a enfrentar dificuldades cada vez maiores. O crescimento das áreas urbanas trouxe um aumento expressivo da poluição eletromagnética. Fontes de alimentação eletrônicas, computadores, carregadores, redes de internet, lâmpadas LED e diversos equipamentos passaram a gerar interferências que prejudicavam a recepção em ondas médias.

Além disso, muitos aparelhos modernos deixaram de oferecer boa recepção em AM, enquanto o público passou a preferir o FM, que apresenta áudio mais limpo e estéreo.

Outro fator importante foi o alto custo de operação das estações AM. Os transmissores consomem mais energia e exigem estruturas maiores de manutenção quando comparados aos equipamentos utilizados na faixa FM.

O início da migração

Em 2013, o Governo Federal autorizou oficialmente a migração das emissoras de ondas médias para a faixa FM, iniciando um processo que mudaria o panorama da radiodifusão brasileira. O objetivo era preservar as emissoras locais, melhorar a qualidade do áudio oferecido aos ouvintes e garantir maior competitividade frente às novas plataformas digitais.

Centenas de emissoras aderiram ao programa, enquanto outras permaneceram temporariamente no AM até a conclusão dos processos técnicos e regulatórios.

O nascimento do FM Estendido

Em muitas cidades brasileiras, a faixa tradicional de FM, entre 88 e 108 MHz, já estava praticamente ocupada. Para permitir a entrada das emissoras migrantes, foi criada a faixa conhecida como FM Estendido, compreendida entre 76,1 e 87,5 MHz.

Inicialmente, muitos ouvintes precisaram trocar seus receptores, pois os rádios antigos não cobriam essa nova faixa. Atualmente, grande parte dos automóveis novos e dos receptores modernos já oferece suporte ao FM Estendido, facilitando o acesso às emissoras migradas.

O impacto para os ouvintes

Para a maioria dos ouvintes, a mudança foi positiva. O áudio tornou-se mais limpo e a sintonia passou a ser mais estável, especialmente nos centros urbanos. Entretanto, alguns desafios também surgiram.

Enquanto o AM era capaz de cobrir grandes áreas com um único transmissor, o FM possui alcance mais limitado e depende das características do relevo. Em regiões montanhosas ou muito afastadas dos centros urbanos, algumas comunidades passaram a enfrentar dificuldades para receber determinadas emissoras.

E para os radioescutas?

Para quem pratica radioescuta e DX, a migração representou uma mudança profunda. Durante décadas, as ondas médias brasileiras ofereciam inúmeras oportunidades para a prática do DX nacional. Em noites de boa propagação, era possível identificar emissoras de praticamente todas as regiões do país.

Com a migração para o FM, o número de estações em ondas médias diminuiu significativamente, reduzindo as possibilidades de escutas de longa distância nessa faixa. 

Por outro lado, o FM também passou a despertar maior interesse entre os DXistas. Em condições favoráveis de propagação, fenômenos como a propagação troposférica e a abertura da camada Es permitem captar emissoras situadas a centenas de quilômetros, tornando o DX em FM uma modalidade cada vez mais popular.

Para os apaixonados por rádio e pela radioescuta, fica a lembrança das longas noites percorrendo o dial das ondas médias em busca de sinais distantes.